No ecossistema industrial, existe um abismo entre possuir uma demanda tecnológica latente e efetivamente captar o capital necessário para resolvê-la. Muitos CEOs e gestores de P&D cometem o erro estratégico de acreditar que o fomento é um direito adquirido. Eles operam sob a premissa de que a relevância econômica de suas empresas e o impacto de suas demandas tornam o apoio governamental uma obrigação estatal, negligenciando o alinhamento estratégico exigido pelos editais. No entanto, a realidade do mercado de fomento é pragmática: "Ter uma demanda potencial não é suficiente para captar fomento".
Pensando nisso, executamos um Webinário dedicado a discutir as tendências das agências de financiamento nos últimos 10 anos e elucidamos todo o passo a passo para submissão e aprovação em um edital de fomento. Você pode assistir abaixo, na íntegra, o conteúdo ministrado pelo nosso diretor de projetos e líder da estratégia de captação de recursos via editais de fomento Breno Oliveira e o especialista em fomentos do Escalab Gustavo Spagnol.
A última década marcou uma mudança de paradigma no financiamento à inovação. Se entre 2015 e 2019 o cenário era dominado por linhas de crédito (onde 95% do valor era reembolsável), o período de 2020 a 2026 consolidou a ascensão da Subvenção Econômica.
Diferente de um empréstimo, a subvenção é um aporte de capital onde o Estado compartilha o risco tecnológico com a empresa. Se o projeto é executado conforme o plano, o recurso não é devolvido. O ganho do governo é o avanço tecnológico e a soberania industrial do país. O salto é estatístico: no setor de mineração e metalurgia, passamos de apenas 15 projetos aprovados (R$ 339 milhões) entre 2015-2019 para impressionantes 114 projetos (R$ 1,71 bilhão) no ciclo atual — um crescimento de mais de 7,6 vezes.
Os números para 2026 impressionam:
- R$ 18 bilhões totais disponibilizados via FNDCT para agências de fomento federais, sendo R$10 bilhões para subvenção;
- R$10 bilhões totais disponibilizados para agências de fomento estaduais.
E ainda existem recursos disponíveis nas empresas públicas de pesquisa e inovação (como as unidades EMBRAPII) e nas companhias de desenvolvimento autarquias agências reguladoras (como a ANEEL e ANP).
Como captar a sua fatia dos R$28 bilhões disponíveis
O primeiro fator a ser considerado é que a sua tecnologia deve estar na faixa correta da escala TRL (Technology Readiness Level).
- TRL 1-2 (Pesquisa Básica): Frequentemente uma barreira de entrada para empresas. Aqui, a tecnologia ainda é uma "ideia pura" ou acadêmica. Para captar recursos altos, as tecnologias já devem possuir análises de risco e viabilidade. Se a sua tecnologia está nesses índices iniciais, não se preocupe! O Escalab consegue te ajudar a realizar o salto tecnológico necessário para o TRL 3, tornando o seu projeto elegível.
- TRL 3 a 7 (A "Zona de Ouro"): Este é o foco principal dos programas Mais Inovação Brasil e Nova Indústria Brasil. Engloba desde a prova de conceito laboratorial até o desenvolvimento de plantas piloto e protótipos em ambiente relevante. Essa é a especialidade do Escalab. Somos referência nacional no escalonamento de tecnologias, com metodologia própria que avalia constantemente aspectos de viabilidade e infraestrutura modular com equipamentos especializados para os segmentos de mineração, metalurgia e indústria química.
- TRL 8-9 (Comercialização): Quando a tecnologia já está pronta para o mercado, o fomento migra da subvenção para o Crédito, uma vez que o risco tecnológico já foi superado.
Um erro recorrente em propostas de fomento é tentar esconder as incertezas do projeto. O propósito das agências de fomento não é financiar certezas comerciais (para isso existem outros órgãos). Elas buscam financiar "tentativas qualificadas".
A ausência de risco técnico gera uma dúvida imediata nos avaliadores: "se não há incerteza, por que o Estado/País deve aportar um recurso não-reembolsável?". Um projeto robusto é aquele que mapeia seus riscos — técnicos, mercadológicos e operacionais — e apresenta um plano de mitigação claro.
Um projeto não é reprovado por ter risco, é reprovado por não saber o que está arriscando e como mitigar os desafios em cada fase do desenvolvimento.
Outro importante fator é que a participação de uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), como o Escalab (vinculado à UFMG), não é apenas um requisito formal dos editais da FINEP. Ela é uma blindagem estratégica para a proposta e para a sua empresa.
A presença de doutores e laboratórios certificados confere credibilidade técnica, garantindo que a equipe possui o rigor metodológico para conduzir o desenvolvimento.
O Diferencial Escalab: Diferente de consultorias tradicionais que cobram taxas fixas para a escrita de editais, o Escalab opera em um modelo de remuneração por execução. Não há cobrança isolada para a elaboração da proposta; a remuneração é atrelada à execução técnica do projeto, que só acontece com a aprovação. Ou seja, não recebemos pela escrita/submissão da proposta, mas sim pela execução do projeto, o que elimina o risco financeiro inicial para a sua empresa e alinha os interesses de todas as partes no êxito da captação.
Agora, vamos abordar outro importante fator: a estrutura do escopo de um projeto.Aqui vai uma lista de o que fazer e o que evitar, para escrever uma boa proposta com altas chances de aprovação
O que fortalece o seu escopo:
- Viabilidade técnica: Dados e resultados prévios de P&D que comprovam a viabilidade de cada etapa do desenvolvimento tecnológico;
- Viabilidade econômica: Estudo de mercado, dados, análises de CAPEX/OPEX e projeções financeiras comprovam a viabilidade econômica de cada etapa do desenvolvimento tecnológico;
- Inovação Caracterizada: É o que separa sua tecnologia de um simples projeto de melhoria. Não basta dizer que sua ideia é nova, você precisa provar que existe um desafio tecnológico real e que sua solução traz um ganho de desempenho ou funcionalidade que não é óbvio para qualquer especialista da área.
- Evidência de Mercado: Provar quem comprará o produto ao final do projeto;
- KPIs Claros: Metas quantitativas e indicadores de sucesso bem definidos;
- Detalhamento Orçamentário: É importante justificar o recurso que está sendo solicitado. Para isso, é necessário apresentar orçamentos, projeções de gastos e valores de contrapartidas.
O que enfraquece o seu escopo:
- Objetivos fracos: Seus objetivos não podem ser vagos ou impossíveis de serem alcançados dentro do prazo estipulado.
- Cronogramas irreais: O cronograma não pode ser impossível de ser cumprido e deve culminar nos entregáveis definidos
- Entregáveis mal definidos e ausência de indicadores técnicos: Seu projeto deve ser capaz de gerar resultados claros e mensuráveis.
- Narrativa incoerente ou falta de aderência temática: a falta de uma "história clara" e bem amarrada que conecte o problema inicial ao impacto esperado prejudica bastante a leitura dos avaliadores.
- Distanciamento do histórico da empresa: propor um desenvolvimento de tecnologia que fuja completamente da trajetória, do setor de atuação e da operação da empresa fragiliza a credibilidade da proposta.
- Ausência de incerteza técnica ou riscos associados: as agências de subvenção financiam a inovação e a "tentativa qualificada", não o que já tem sucesso garantido (como replicar uma linha de produção existente). Se o projeto não apresenta risco associado, os avaliadores questionarão onde está verdadeiramente a inovação.
Vale ressaltar que para um projeto ser aprovado nas chamadas FINEP, ele deve estar estritamente alinhado a uma das 6 Missões da Nova Indústria Brasil:
- Cadeias Agroindustriais Sustentáveis e Digitais.
- Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
- Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade.
- Transformação Digital da Indústria.
- Bioeconomia, Descarbonização e Transição Energética.
- Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional.
O cenário de 2026 é o momento de "boom" para setores estratégicos como a mineração, a bioeconomia e as soluções de hidrogênio de baixa emissão. O volume de capital disponível é uma oportunidade única para reduzir o custo do desenvolvimento e acelerar o salto competitivo da sua organização.
Agora que você está familiarizado com a temática de captação de fomento público, se pergunte se sua empresa financia sozinha suas inovações ou divide o risco financeiro com o poder público. O capital para o seu próximo salto tecnológico está disponível, a questão é se sua estratégia de captação está à altura do desafio.
A boa notícia é que o Escalab está aqui para te ajudar em cada etapa do processo. Desde a descoberta de inovações já existentes na sua empresa, priorização de desafios, escrita, submissão, execução, até a prestação de contas ao fim do projeto. Conte conosco!