Cobogó, cubas e piso tátil feitos com rejeito de mineração, exemplos de valoração de rejeitos em produtos de valor agregado

Em resumo

A destinação e valoração de rejeitos da mineração exigem tecnologias que não apenas transformem passivos em produtos de valor agregado, mas que apresentem viabilidade técnica e econômica real e superem o gargalo da falta de mão de obra interna para operar processos fora do core business da mineradora. Como solução, a Geocycle, em parceria com o Escalab, desenvolve materiais cimentícios e geopoliméricos de alto desempenho a partir de rejeitos e entrega um modelo completo que vai desde a caracterização inicial do material e o EVTE até um time executor dedicado para operar a tecnologia nas empresas contratantes.

Muito além da bancada: por que transformar passivos minerais em produtos de valor agregado exige fechar a conta econômica e contar com um time executor para operar a tecnologia na prática.

A gestão de estéreis e rejeitos deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar uma pauta estratégica nas grandes mineradoras. Segundo levantamentos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA / GRID-Arendal: Mine Tailings Storage: Safety Is No Accident) e diretrizes do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM / Global Tailings Management Institute), globalmente, a indústria mineral movimenta dezenas de bilhões de toneladas de rocha todos os anos e gera um volume estimado entre 10 e 13 bilhões de toneladas anuais de resíduos sólidos (estéreis e rejeitos de beneficiamento). No Brasil, estudos do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM: Práticas em Circularidade no Setor Mineral) e estimativas do setor (Agência iNFRA / IBRAM) apontam que apenas a descaracterização de barragens demanda cerca de R$ 36 bilhões em investimentos, somados aos aportes contínuos em filtragem para empilhamento a seco (dry stacking), monitoramento geotécnico e adequação ao Padrão Global da Indústria para Gestão de Rejeitos (GISTM) e às exigências da Agência Nacional de Mineração, como a Resolução ANM nº 95/2022.

10 a 13 bi t
de resíduos sólidos da mineração por ano no mundo
R$ 36 bi
só para descaracterizar barragens no Brasil
~80%
dos rejeitos sólidos têm potencial técnico para virar produto
O que pode virar produto x o que vira hoje
15 a 27%
potencial até 80%
Fontes: PNUMA, ICMM, IBRAM, Agência iNFRA, Araujo et al. (2022) e Liu et al. (2026).

Diante desse cenário, a destinação e valoração de rejeitos, ou seja, converter passivos ambientais em matérias-primas e produtos para outras cadeias industriais, consolida-se como o caminho mais inteligente para transformar centros de custo permanente em novas fontes de receita ou redução de OPEX.

No entanto, para que uma tecnologia saia do laboratório e funcione de forma contínua na realidade de uma mineradora, ela precisa vencer dois grandes desafios: provar sua viabilidade técnica e econômica e ser completamente integrada ao dia a dia da operação industrial.

Diversas tecnologias já existem, mas o que separa uma promessa da escala real é a viabilidade

Do ponto de vista estritamente científico, a grande maioria dos passivos minerais pode ser convertida em novos insumos: segundo revisão sistemática publicada na Geosciences (Araujo et al., 2022), cerca de 80% dos rejeitos sólidos da mineração possuem potencial técnico para serem transformados em matérias-primas de outras cadeias produtivas ou em produtos de valor agregado, abrangendo desde geopolímeros, materiais cimentícios e artefatos para construção civil até fertilizantes, catalisadores e materiais funcionais. Na prática industrial, porém, a taxa efetiva de destinação produtiva desses rejeitos ainda trava na faixa de 15% a 27% (Liu et al., 2026, Minerals; Araujo et al., 2022).

Essa diferença grande se dá justamente porque o gargalo deixou de ser a síntese em bancada e passou a ser a viabilidade técnica e econômica em escala.

Na prática industrial, uma rota tecnológica só para de pé quando fecha a equação entre quatro fatores:

01
Estabilidade técnica
O processo aguenta a variação do rejeito que vem da frente de lavra
02
CAPEX e OPEX
O produto sai competitivo frente ao insumo convencional
03
Volume, valor e logística
O frete cabe no preço do produto
04
Mercado e normas
Tem quem compre o volume, e o produto passa nas normas
  1. Estabilidade técnica frente à variabilidade: O processo precisa suportar oscilações mineralógicas e granulométricas naturais da frente de lavra sem comprometer a qualidade do produto final.
  2. Equilíbrio entre CAPEX e OPEX: O consumo de energia, reagentes e etapas de processamento deve permitir que o novo produto seja competitivo frente aos insumos convencionais já estabelecidos no mercado.
  3. Alinhamento entre volume, valor agregado e logística: Produtos de alto volume e menor valor unitário (como agregados básicos e blocos) dependem de consumo interno na própria unidade operacional ou de compradores em um raio logístico curto. Já produtos de maior valor agregado e desempenho técnico superior suportam fretes mais longos e abrem mercados mais amplos.
  4. Capacidade de absorção e conformidade normativa: O mercado comprador precisa ter escala compatível com a geração da mina, e o produto deve atender rigorosamente às normas técnicas (como as da ABNT) e ambientais.

Saber de antemão quais rotas já existem para o seu tipo de rejeito, e onde cada uma esbarra nesses quatro fatores, poupa meses de bancada. É o que o mapeamento tecnológico levanta antes de qualquer teste, e o nosso estudo mostra como ele funciona no setor mineral:

O segundo grande desafio: quem executa essa nova tecnologia no dia a dia da empresa?

Mesmo quando uma rota tecnológica supera todos os testes de laboratório e comprova sua viabilidade, muitos projetos promissores acabam travando no momento da implementação. O motivo raramente é técnico, mas sim operacional: quem vai operar essa nova tecnologia todos os dias dentro da mineradora?

O core business de uma mineradora é extrair e beneficiar seu minério principal com segurança, escala e eficiência. Quando uma solução propõe transformar o rejeito em pisos intertravados, revestimentos, artefatos para construção civil ou insumos químicos, instala-se uma rotina fabril completamente distante da vocação operacional da mina.

Além da distância do core business, novos processos deixam de acontecer diariamente nas empresas por outros dois gargalos:

  • Falta de mão de obra dedicada: As equipes internas de engenharia, operação e meio ambiente já estão 100% comprometidas com as metas de produção e segurança da planta principal, não havendo braço operacional disponível para assumir uma nova linha produtiva.
  • Curva de aprendizado e controle de qualidade específico: Manter a regularidade técnica de um novo coproduto exige operadores treinados especificamente naquela tecnologia e uma gestão dedicada de suprimentos e manutenção.

Sem uma estrutura pensada para a execução diária, a mineradora corre o risco de investir em P&D e terminar com uma excelente tecnologia parada por falta de quem a opere.

Geocycle: solução viável com um time executor para fazer funcionar na sua operação

É exatamente na união da viabilidade técnico-econômica e a execução prática no dia a dia que se destaca a Geocycle, spin-off de base tecnológica originada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e impulsionada pelo Escalab.

A Geocycle desenvolve e escala materiais cimentícios e geopoliméricos de alto desempenho a partir de rejeitos da mineração e da construção civil. Por meio da ativação alcalina de aluminossilicatos (geopolimerização) e de matrizes cimentícias otimizadas, a tecnologia incorpora altas proporções de rejeito (com formulações validadas utilizando cerca de 40% de rejeitos) para dar origem a produtos de maior valor agregado para a construção civil e infraestrutura.

Pisos intertravados em diferentes formatos, produzidos a partir de rejeito de mineração
Pisos intertravados e placas de pavimentação para vias operacionais, pátios industriais e obras públicas
Placas de revestimento em relevo produzidas com rejeito de mineração
Revestimentos, pastilhas, piso tátil, pingadeiras e soleiras
Cobogó, cubas e piso tátil produzidos com rejeito de mineração
Peças arquitetônicas e de design, como cobogós, cubas e mobiliário urbano

Os produtos da Geocycle representam uma redução de até 40% da emissão de CO₂ quando comparados a produtos cimentícios do mercado. Essa tecnologia se encontra na escala piloto, com um volume de 300 kg de material produzido por batelada, o que se traduz em 1,5 toneladas produzidas semanalmente.

~40%
de rejeito na formulação
até 40%
menos CO₂ que produtos cimentícios do mercado
300 kg
por batelada, em escala piloto
1,5 t
produzidas por semana

A Geocycle já possui parcerias e provas de conceito em execução com grandes atores como AMG Brasil, Vale e Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (SEINFRA-MG, no âmbito do HUB MG GOV).

Mais do que deter a tecnologia, o grande diferencial da Geocycle em conjunto com o Escalab é contar com um time executor dedicado para fazer a solução funcionar dentro das empresas contratantes:

FASE 1
Do laboratório à PoC instalada
Formulação para o seu rejeito · EVTE completo · lotes em escala piloto · produto aplicado em campo, inclusive na própria mina
FASE 2
Implantação e operação com equipe própria
Projeto executivo da unidade · montagem da planta · time que opera a conversão do rejeito em produto
  • Do laboratório à Prova de Conceito (PoC) instalada: Desenvolvemos a formulação para o rejeito da empresa, modelamos o EVTE completo, produzimos os lotes em escala piloto e entregamos os produtos aplicados em campo (inclusive para uso nas próprias instalações da mineradora).
  • Implantação e operação com equipe própria: Estruturamos o projeto executivo da unidade produtiva, acompanhamos a montagem da planta e alocamos um time executor especializado para operar o processo de conversão do rejeito em produto no dia a dia. Seja por meio da operação assistida in loco, da prestação contínua de serviço de transformação ou do modelo DBOT (Develop, Build, Operate and Transfer), garantimos que a tecnologia rode com eficiência industrial sem sobrecarregar a equipe interna da mineradora e sem desviar o foco do seu core business.

Mas como isso começa na sua mineradora?

Primeiro, vale ressaltar que cada mina é um universo próprio: o primeiro passo é uma boa caracterização.

Na mineração, não existem soluções genéricas porque não existem dois depósitos iguais. Cada mina é um universo próprio, com características mineralógicas, químicas, granulométricas e rotas de beneficiamento únicas, o que faz com que o rejeito de uma operação tenha um comportamento completamente diferente do de outra. Por isso, antes de qualquer proposta de solução tecnológica ou desenho de planta, é indispensável realizar uma boa caracterização do material. É a partir de um diagnóstico laboratorial completo (avaliando composição química, fases cristalinas, granulometria, comportamento térmico e estabilidade ambiental) que reunimos todas as informações necessárias para traçar rotas seguras e viáveis técnica e economicamente.

1
Caracterizar
Química, minerais, granulometria e variação do rejeito
2
Mapear
Rotas e aplicações possíveis, comparadas por critério técnico e econômico
3
Viabilizar
Formulação em bancada e EVTE com CAPEX, OPEX e mercado
4
Provar
Lotes piloto e PoC aplicada em campo
5
Operar
Planta implantada e time executor no dia a dia

Quer descobrir quais são as melhores destinações e aplicações para os rejeitos da sua operação, e como tirar essa transformação do papel com quem executa de ponta a ponta? Entre em contato conosco e agende uma reunião com os nossos especialistas. Estamos prontos para entender o seu desafio e construir a solução ideal para a sua realidade.

Perguntas frequentes

O que é valoração de rejeitos de mineração?

É transformar rejeitos e estéreis, que hoje são passivo ambiental e custo de disposição, em matérias-primas e produtos de valor agregado para outras cadeias industriais, como construção civil, infraestrutura, agricultura e química.

Quanto do rejeito de mineração pode virar produto?

Cerca de 80% dos rejeitos sólidos da mineração têm potencial técnico para isso, segundo revisão publicada na Geosciences (Araujo et al., 2022). Na prática, só 15% a 27% são efetivamente destinados a uso produtivo (Liu et al., 2026).

Por que tão poucos projetos de aproveitamento de rejeito chegam à escala industrial?

Porque o gargalo não está mais na bancada, e sim na viabilidade técnica e econômica em escala e na operação. A rota precisa suportar a variação do rejeito, ter custo competitivo, ter comprador num raio logístico viável, atender às normas e ter alguém para operá-la todos os dias.

Quais fatores definem se uma rota de valoração de rejeitos é viável?

Quatro: estabilidade técnica frente à variabilidade do rejeito, equilíbrio entre CAPEX e OPEX, alinhamento entre volume, valor agregado e logística, e capacidade do mercado de absorver o produto com conformidade às normas técnicas e ambientais.

Quem opera a tecnologia de valoração de rejeitos dentro da mineradora?

No modelo da Geocycle com o Escalab, um time executor próprio. A operação pode ser assistida in loco, prestada como serviço contínuo de transformação ou feita no modelo DBOT (Develop, Build, Operate and Transfer), sem sobrecarregar a equipe interna da mina.

O que a Geocycle produz com rejeito de mineração?

Materiais cimentícios e geopoliméricos com cerca de 40% de rejeito na formulação: pisos intertravados e placas de pavimentação, revestimentos, pastilhas, piso tátil, pingadeiras, soleiras, cobogós, cubas e mobiliário urbano, com até 40% menos emissão de CO₂ que produtos cimentícios do mercado.

Qual o primeiro passo para valorar o rejeito da minha mineradora?

A caracterização do material, porque cada mina é um universo próprio. Depois vêm o mapeamento tecnológico das rotas possíveis, a formulação e o EVTE, a escala piloto com prova de conceito e, por fim, a implantação com o time executor.