Estudo de Viabilidade de Tecnologia (EVT): o que é, para que serve e como aplicar

Durante o desenvolvimento de uma tecnologia, podem surgir alguns questionamentos como: essa tecnologia realmente funciona fora do laboratório? Existe mercado disposto a pagar por isso? O retorno financeiro justifica o investimento?

Para responder a essas perguntas o ESCALAB realiza o Estudo de Viabilidade de Tecnologia, comumente chamado de EVT, cujo objetivo é identificar os riscos técnicos envolvidos no desenvolvimento de um produto, compreender o mercado de entrada da tecnologia e analisar o investimento financeiro necessário para iniciar o projeto, bem como o retorno para quem está investindo.

Trata-se de um estudo estratégico e imprescindível para a tomadas de decisões relacionadas ao futuro técnico, mercadológico e econômico-financeiro de projetos de base tecnológica.

No ESCALAB, este tipo de estudo está presente desde a etapa de Mapeamento Tecnológico até o Escalonamento. A maturidade da tecnologia influencia diretamente no escopo do EVT, que pode assumir um caráter mais qualitativo e preliminar para tecnologias em estágios iniciais, ou mais robusto, com a construção de fluxo de caixa e análise de indicadores financeiros, para tecnologias mais maduras.

Mapeamento tecnológico + PRÉ EVT    ->     P&D Direcionado + EVT    ->    Pré piloto +EVT    ->    Escalonamento
Trilha da Inovação no Escalab

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O escopo do EVT, além de variar conforme a maturidade da tecnologia, também pode sofrer alterações a depender das perguntas que se deseja responder. De forma geral, as informações analisadas são organizadas em três grandes frentes:

  • Viabilidade Técnica;
  • Estudo de Mercado;
  • Viabilidade Econômico-financeira.

Viabilidade Técnica

1) Processo produtivo: fluxograma das etapas do processo tecnológico, incluindo balanço de massa, energia, modelo de produção e capacidade produtiva da planta piloto;

2) Maturidade tecnológica: classificação da tecnologia perante a escala TRL (Technology Readiness Level), ferramenta desenvolvida em 1974 pela NASA dividida em 9 diferentes níveis, onde cada um está diretamente relacionado ao nível de maturidade daquela tecnologia avaliada;

3) Complexidade tecnológica: descrição das operações unitárias, de parâmetros físico-químicos e de engenharia envolvidos no processo;

4) Rendimento: apresentação do rendimento da reação ou do processo estudado;

5) Consumo potencial: parâmetro muito importante no ESCALAB, já que muitas das nossas tecnologias estão relacionadas à reaproveitamento de rejeitos e resíduos. Aqui avaliamos a quantidade de matéria-prima que é consumida para gerar uma quantidade X em gramas, quilos e/ou toneladas do produto desejado;

6) Geração de resíduos: descrição se o processo gera algum tipo de resíduo relevante e como se pode aproveitar ou tratar esse resíduo;

7) Sinergia de processos: avaliação se a rota tecnológica, o produto e/ou os resíduos analisados, possuem alguma sinergia com outros processos internos do cliente, para que seja proposta possível melhoria para esse outro processo semelhante;

8) Logística: entraves logísticos relacionados ao desenvolvimento tecnológico ou entrada do produto no mercado.

Estudo de mercado

1) Definição de mercado: levantamento dos números do mercado de interesse em nível global, nacional e/ou regional; potencial de crescimento e de vendas; regiões de protagonismo no Brasil; etc.;

2) Tamanho de mercado: dimensionamento do tamanho de mercado desejado;

3) Legislações: identificação de quais são os órgãos e leis que regem o mercado desejado e o desenvolvimento da tecnologia;

4) Benchmarking: análise dos stakeholders relacionados à tecnologia – concorrentes, potenciais clientes, fornecedores e parceiros.

Viabilidade econômico-financeira

1) Estimativa de investimentos: identificação de custos ativos fixos e/ou intangíveis relacionados à execução do projeto;

2) Valor agregado: identificação dos preços praticados no mercado que se assemelham a tecnologia proposta;

3) Fluxo de caixa: construção do fluxo de caixa, ferramenta que mostra as entradas e saídas financeiras ao longo do tempo no projeto. Para elaboração é necessário levantar o CAPEX (Capital Expenditure – custos relacionados à ativos fixos e suas depreciações) e OPEX (Operational Expenditure – custos relacionados à operação, como funcionários, manutenção, etc.).

Após a elaboração do fluxo de caixa, é possível extrair vários indicadores financeiros que podem auxiliar na tomada de decisão sobre a viabilidade econômica do projeto em questão, como por exemplo:

  • Valor Presente Líquido (VPL) – métrica que consiste em trazer para o tempo presente, todos os fluxos de caixa de um projeto de investimento, somando-os ao montante inicial. Se o VPL for positivo, o investimento feito no projeto é executável e o investidor terá ganhos financeiros e conseguirá a valorização do seu dinheiro. Se o VPL for negativo, o investidor perderá dinheiro, ou seja, se investir no projeto terá prejuízos. Se o VPL for igual a zero, ou seja, neutro, o projeto não trará nenhum prejuízo nem benefício ao investidor.
  • Taxa Interna de Retorno (TIR) – métrica para avaliar qual o percentual de retorno de um projeto para empresa. Para decidir se o projeto é viável ou não, geralmente a TIR é comparada a outra taxa, a Taxa Mínima de Atratividade, que é o percentual mínimo que o investidor do projeto está disposto a receber. Então, no momento da comparação, de maneira simplória, se o TIR for maior que o TMA, o projeto trará ganhos para o investidor, caso contrário, não.
  • Índice de Lucratividade (IL) – métrica que demonstra a razão entre a receita total pelo lucro líquido. Valores superiores a 1 indicam que o retorno esperado supera o capital investido.
  • Payback descontado – métrica que avalia o período no qual o investimento em um projeto demorará para voltar ao investidor ou empresário, descontando a Taxa Mínima de Atratividade.

Por fim, realiza-se a análise de cenários, com a construção de cenários pessimista e otimista a partir das premissas adotadas no fluxo de caixa.

Coluna 1: Econômico - Financeira  Estimativa de investimentos  Valor agregado  Fluxo de caixa  CAPEX e OPEX  Valor presente líquido  Taxa interna de retorno  Taxa mínima de atratividade  Índice de lucratividade  Payback descontado  Análise de cenários  Coluna 2: Técnica  Processo produtivo  Maturidade tecnológica  Complexidade tecnológica  Rendimento  Consumo potencial  Geração de resíduos  Sinergia de processos  Logística  Coluna 3: Mercado  Definição de mercado  Tamanho de mercado  Legislações  Benchmarking

Um bom EVT é capaz de responder questões importantes sobre a continuidade de um projeto e, principalmente, mapear os riscos associadas ao desenvolvimento tecnológico, aos aspectos financeiros e à inserção da tecnologia no mercado, configurando-se como um estudo estratégico para empreendimentos inovadores.

É fundamental revisitar periodicamente as informações levantadas ao longo do estudo e mantê-las atualizadas, de modo a aumentar a confiabilidade dos resultados obtidos. O EVT é elaborado com base em premissas técnicas, mercadológicas e econômico-financeiras que representam cenários possíveis no momento da análise e, como todo estudo prospectivo, está sujeito a variações decorrentes de mudanças de contexto, mercado ou desempenho tecnológico.