EVTE, estudo de viabilidade técnica e econômica: frentes técnica, de mercado e econômico-financeira

Em resumo

EVTE é a sigla de Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica, a análise que responde, antes do investimento, se um projeto funciona fora do papel, se existe mercado para ele e se o retorno justifica o investimento. O estudo se organiza em três frentes: viabilidade técnica, estudo de mercado e viabilidade econômico-financeira, com indicadores como VPL, TIR e payback. Quando o objeto é uma tecnologia em desenvolvimento, o Escalab chama o estudo de EVT (Estudo de Viabilidade de Tecnologia), e o escopo acompanha a maturidade: mais qualitativo nos estágios iniciais, com fluxo de caixa completo nos mais maduros.

EVTE é a sigla de Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica. É a análise feita antes de investir num projeto para saber se ele funciona fora do papel, se existe mercado disposto a pagar pelo resultado e se o retorno financeiro justifica o investimento. O mesmo estudo também aparece como estudo de viabilidade técnico-econômica.

Quando o objeto é uma tecnologia em desenvolvimento, as perguntas ficam mais específicas: essa tecnologia realmente funciona fora do laboratório? Existe mercado disposto a pagar por isso? O retorno financeiro justifica o investimento?

Para responder a essas perguntas, o ESCALAB realiza o Estudo de Viabilidade de Tecnologia, comumente chamado de EVT. É um EVTE aplicado a projetos de base tecnológica. O objetivo é identificar os riscos técnicos envolvidos no desenvolvimento de um produto, compreender o mercado de entrada da tecnologia e analisar o investimento financeiro necessário para iniciar o projeto, bem como o retorno para quem está investindo.

É um estudo estratégico para a tomada de decisões sobre o futuro técnico, mercadológico e econômico-financeiro de projetos de base tecnológica.

No ESCALAB, este tipo de estudo está presente desde a etapa de Mapeamento Tecnológico até o Escalonamento. A maturidade da tecnologia influencia diretamente o escopo do EVT, que pode assumir um caráter mais qualitativo e preliminar para tecnologias em estágios iniciais, ou mais robusto, com a construção de fluxo de caixa e análise de indicadores financeiros, para tecnologias mais maduras.

Mapeamento tecnológico + PRÉ EVT    ->     P&D Direcionado + EVT    ->    Pré piloto +EVT    ->    Escalonamento
Trilha da Inovação no Escalab

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O que o EVTE analisa

O escopo do estudo, além de variar conforme a maturidade da tecnologia, também muda conforme as perguntas que se deseja responder. De forma geral, as informações analisadas se organizam em três grandes frentes:

Frente Pergunta que responde O que entra na análise
Viabilidade técnica O processo funciona na escala pretendida, com o rendimento e o consumo esperados? Processo produtivo, maturidade tecnológica (TRL), complexidade, rendimento, consumo potencial, resíduos, sinergia de processos e logística
Estudo de mercado Existe mercado, de que tamanho, e sob quais regras? Definição e tamanho de mercado, legislação e benchmarking
Viabilidade econômico-financeira O retorno justifica o investimento? Estimativa de investimentos, valor agregado, fluxo de caixa com CAPEX e OPEX, indicadores (VPL, TIR, IL e payback) e cenários

Muita gente associa o EVTE só à planilha de VPL. Em projeto de tecnologia, a conta financeira depende de premissas técnicas, como rendimento, consumo de matéria-prima e capacidade da planta piloto. Se essas premissas estiverem erradas, o VPL pode sair positivo e ainda assim não dizer nada sobre o projeto real. Por isso a frente técnica vem primeiro.

Viabilidade Técnica

1) Processo produtivo: fluxograma das etapas do processo tecnológico, incluindo balanço de massa, energia, modelo de produção e capacidade produtiva da planta piloto;

2) Maturidade tecnológica: classificação da tecnologia na escala TRL (Technology Readiness Level), ferramenta desenvolvida em 1974 pela NASA e dividida em 9 níveis, cada um relacionado à maturidade da tecnologia avaliada;

3) Complexidade tecnológica: descrição das operações unitárias, de parâmetros físico-químicos e de engenharia envolvidos no processo;

4) Rendimento: apresentação do rendimento da reação ou do processo estudado;

5) Consumo potencial: parâmetro muito importante no ESCALAB, já que muitas das nossas tecnologias estão relacionadas ao reaproveitamento de rejeitos e resíduos. Aqui avaliamos a quantidade de matéria-prima consumida para gerar uma quantidade X, em gramas, quilos ou toneladas, do produto desejado;

6) Geração de resíduos: descrição se o processo gera algum tipo de resíduo relevante e como se pode aproveitar ou tratar esse resíduo;

7) Sinergia de processos: avaliação se a rota tecnológica, o produto ou os resíduos analisados possuem alguma sinergia com outros processos internos do cliente, para que seja proposta uma possível melhoria para esse outro processo;

8) Logística: entraves logísticos relacionados ao desenvolvimento tecnológico ou à entrada do produto no mercado.

Estudo de mercado

1) Definição de mercado: levantamento dos números do mercado de interesse em nível global, nacional ou regional, potencial de crescimento e de vendas e regiões de protagonismo no Brasil;

2) Tamanho de mercado: dimensionamento do tamanho de mercado desejado;

3) Legislações: identificação dos órgãos e leis que regem o mercado desejado e o desenvolvimento da tecnologia;

4) Benchmarking: análise dos stakeholders relacionados à tecnologia, como concorrentes, potenciais clientes, fornecedores e parceiros.

Viabilidade econômico-financeira

1) Estimativa de investimentos: identificação dos custos de ativos fixos e intangíveis relacionados à execução do projeto;

2) Valor agregado: identificação dos preços praticados no mercado para produtos semelhantes à tecnologia proposta;

3) Fluxo de caixa: construção do fluxo de caixa, ferramenta que mostra as entradas e saídas financeiras do projeto ao longo do tempo. Para elaborá-lo é necessário levantar o CAPEX (Capital Expenditure, investimento em ativos fixos e suas depreciações) e o OPEX (Operational Expenditure, custos de operação, como pessoal e manutenção).

Com o fluxo de caixa pronto, é possível extrair os indicadores financeiros que apoiam a decisão sobre a viabilidade econômica do projeto:

  • Valor Presente Líquido (VPL): traz para o valor de hoje todos os fluxos de caixa futuros do projeto, descontados por uma taxa, e subtrai o investimento inicial. Se o VPL for positivo, o projeto gera valor acima da taxa exigida pelo investidor. Se for negativo, o investidor perde dinheiro. Se for igual a zero, o projeto apenas remunera a taxa exigida, sem ganho nem prejuízo adicional.
  • Taxa Interna de Retorno (TIR): é a taxa de desconto que zera o VPL, ou seja, o percentual de retorno do projeto. Para decidir se o projeto é viável, a TIR é comparada à Taxa Mínima de Atratividade (TMA), o retorno mínimo que o investidor aceita. Se a TIR for maior que a TMA, o projeto remunera o investidor acima do mínimo exigido.
  • Índice de Lucratividade (IL): razão entre o valor presente das entradas futuras e o investimento inicial. Valores superiores a 1 indicam que o retorno esperado supera o capital investido.
  • Payback descontado: o tempo que o investimento leva para voltar ao investidor, considerando o valor do dinheiro no tempo, descontado pela TMA.

Por fim, realiza-se a análise de cenários, com a construção de cenários pessimista e otimista a partir das premissas adotadas no fluxo de caixa.

Coluna 1: Econômico - Financeira  Estimativa de investimentos  Valor agregado  Fluxo de caixa  CAPEX e OPEX  Valor presente líquido  Taxa interna de retorno  Taxa mínima de atratividade  Índice de lucratividade  Payback descontado  Análise de cenários  Coluna 2: Técnica  Processo produtivo  Maturidade tecnológica  Complexidade tecnológica  Rendimento  Consumo potencial  Geração de resíduos  Sinergia de processos  Logística  Coluna 3: Mercado  Definição de mercado  Tamanho de mercado  Legislações  Benchmarking

Como fazer um EVTE, passo a passo

A ordem abaixo segue a lógica do estudo: primeiro as premissas técnicas e de mercado, depois a conta financeira que depende delas.

  1. Defina a decisão e o escopo. Escreva qual decisão o estudo precisa apoiar e em que nível de maturidade (TRL) a tecnologia está. É isso que define se o estudo será preliminar e qualitativo ou completo, com fluxo de caixa.
  2. Descreva o processo. Monte o fluxograma, o balanço de massa e de energia, o rendimento e o consumo de matéria-prima esperados.
  3. Levante o mercado. Tamanho, crescimento, legislação aplicável, concorrentes e potenciais clientes.
  4. Estime investimentos e custos. Separe o CAPEX, o investimento em ativos, do OPEX, o custo de operar.
  5. Monte o fluxo de caixa e calcule os indicadores. VPL, TIR, Índice de Lucratividade e payback descontado.
  6. Teste os cenários. Refaça a conta em cenários pessimista e otimista, mudando as premissas que mais pesam no resultado.
  7. Conclua e registre as premissas. O estudo termina numa recomendação sobre a continuidade do projeto, com as premissas escritas para serem revistas depois.

Quando fazer um EVTE

O EVTE vale antes de qualquer decisão que aumente o investimento no projeto, como montar uma planta piloto ou escalonar um processo. Quanto mais cedo ele é feito, mais barato é descobrir que uma rota não fecha.

Nos estágios iniciais o estudo é mais qualitativo e preliminar. À medida que a tecnologia amadurece, ele ganha fluxo de caixa e indicadores financeiros, e as premissas são revisitadas a cada etapa.

Um bom estudo de viabilidade responde questões importantes sobre a continuidade de um projeto e, principalmente, mapeia os riscos associados ao desenvolvimento tecnológico, aos aspectos financeiros e à inserção da tecnologia no mercado.

É fundamental revisitar periodicamente as informações levantadas ao longo do estudo e mantê-las atualizadas, de modo a aumentar a confiabilidade dos resultados. O EVTE é elaborado com base em premissas técnicas, mercadológicas e econômico-financeiras que representam cenários possíveis no momento da análise e, como todo estudo prospectivo, está sujeito a variações decorrentes de mudanças de contexto, mercado ou desempenho tecnológico.

Perguntas frequentes

O que é EVTE?

EVTE é a sigla de Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica. É a análise feita antes de investir num projeto para saber se ele funciona na prática, se existe mercado para ele e se o retorno financeiro justifica o investimento.

EVT e EVTE são a mesma coisa?

São o mesmo tipo de estudo. EVTE, estudo de viabilidade técnica e econômica, é o nome mais usado. EVT, estudo de viabilidade de tecnologia, é como o Escalab chama esse estudo quando o objeto é uma tecnologia em desenvolvimento, e por isso a maturidade tecnológica (TRL) entra na frente técnica.

O que o EVTE analisa?

Três grandes frentes. Viabilidade técnica: processo produtivo, maturidade e complexidade tecnológica, rendimento, consumo potencial, geração de resíduos, sinergia de processos e logística. Estudo de mercado: definição e tamanho de mercado, legislações aplicáveis e benchmarking. Viabilidade econômico-financeira: estimativa de investimentos, valor agregado e fluxo de caixa.

Como fazer um EVTE?

Defina a decisão que o estudo precisa apoiar e o escopo conforme a maturidade da tecnologia. Descreva o processo, levante o mercado, estime CAPEX e OPEX, monte o fluxo de caixa e calcule VPL, TIR, Índice de Lucratividade e payback descontado. Teste cenários pessimista e otimista e conclua com uma recomendação sobre a continuidade do projeto.

Quais indicadores financeiros saem de um EVTE?

Do fluxo de caixa extraem-se o Valor Presente Líquido (VPL), a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Índice de Lucratividade (IL) e o Payback descontado. Ao final constroem-se cenários pessimista e otimista a partir das premissas adotadas.

Como o VPL indica se o projeto é viável?

O VPL traz os fluxos de caixa futuros para o valor de hoje e subtrai o investimento inicial. Se for positivo, o projeto gera valor acima da taxa exigida. Se for negativo, o investidor perde dinheiro. Se for igual a zero, o projeto apenas remunera a taxa exigida.

Quando fazer um EVTE?

Antes de decisões que aumentam o investimento no projeto, como montar uma planta piloto ou escalonar um processo. Quanto mais cedo, mais barato é descobrir que uma rota não fecha.

O escopo do EVTE é sempre o mesmo?

Não. Ele acompanha a maturidade da tecnologia: assume caráter mais qualitativo e preliminar para tecnologias em estágios iniciais, e mais robusto, com construção de fluxo de caixa e análise de indicadores financeiros, para tecnologias mais maduras.